Por Marco Roza*
Os profissionais de marketing são especialistas em criar cenários para seus clientes. Se apóiam em boas pesquisas, em análises intuitivas, na experiência e na ousadia. E sabem sugerir sempre uma ação para que seus clientes evitem a mesmice dos anos anteriores.
Até que são desafiados a pensar nos cenários para eles mesmos e aí a gente esbarra em formulações completamente fora do quadrado.
Veja a seguir os meus cenários fora do quadrado para o uso da internet, como o meio e a mensagem das campanhas de marketing, a partir deste maravilhoso ano de 2007.
Até agora os profissionais de marketing usaram a internet como um correio mais barato e mais ágil. A gente vê pipocar por todos os lados os reforços das campanhas de marketing com o assim chamado e-mail marketing. Que traz mensagens belíssimas. A maioria delas uma mala-direta melhorada, apoiada, se tanto, em CRMs.
O que vejo à frente, a partir da leitura de “A Sociedade em Rede”, de Manuel Castells, Editora Paz e Terra, é o profissional de marketing interagindo com os portais-pessoas que abrirão e lerão os seus emails, circularão por seus sites e se apoiarão nos seus blogs, para só depois decidirem se compram ou não.
Sim, a tecnologia de internet já foi devidamente assimilada de maneira quase que universal. E se somos bons enquanto produtores de conteúdos e editores visuais das mensagens é chegada a hora do grande salto que os seus clientes e, principalmente, os clientes de seus clientes aguardam a partir de 2007.
Enquanto portais-pessoas, os usuários da internet não querem apenas ler e entender as mensagens que recebem. Não têm mais tempo para processar tanta informação. São, enquanto agentes de consumo, a consciência de um mundo integrado em rede e, que por isso, é definido por Manuel Castells como o “mundo informacional”.
“É informacional porque a produtividade e a competitividade de unidades ou agentes nessa economia (sejam empresas, regiões ou nações) dependem basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informação baseada em conhecimentos”, página 119.
Portanto, os cenários que vejo a partir de 2007 apontam para campanhas que cuidem, on-line, dos interesses de seus clientes, no relacionamento com seus respectivos clientes e com o universo em que vivem, moram e consomem.
Teremos que avançar além da distribuição da newsletter bonitinha. Vamos apostar na prestação de serviços, via web, em nome dos nossos clientes, junto ao universo ampliado em que eles vivem, trabalham e, principalmente, consomem. O que nos obrigará a superar os universos formados pelos fornecedores, colaboradores e clientes finais.
Difícil? Nem tanto
Já temos a tecnologia e o conhecimento que poderemos agregar aos nossos relacionamentos com clientes que se tornam cada vez mais conscientes do mundo informacional.
Além da newsletter bonitinha, vamos criar um blog que seja uma ferramenta de uso imediato pelos nossos clientes. Em vez de sugerir que nossos clientes façam isso e aquilo, vamos nós mesmos colocar a mão na massa e, devidamente nomeados por quem nos contrata, exercer esse mandato junto aos ambientes de seu interesse.
Por exemplo, ao realizar campanhas de uma marca de brinquedo, vamos interagir, em nome dela, com o universo ampliado em que aquela marca quer se destacar.
Criaremos para a empresa proprietária daquela marca, blogs, sites e newsletter que refletirão as ansiedades e vontades do público consumidor. Assumiremos a produção de conteúdos e a respectiva distribuição para sustentar as campanhas junto às autoridades para melhorar as condições da educação para as crianças, com busca de investimento e esclarecimento nas áreas de saúde etc.
Nossas mensagens e campanhas pela internet trarão orientação sobre o aproveitamento educacional daquele brinquedo. E serão dirigidas para as pessoas e autoridades certas, exaltando o respeito e o carinho que todos temos que ter para as crianças e não apenas nossos filhos.
A marca, apoiada em campanhas de marketing informacionais, se integrará às referências de quem a consome. Como representante informacional de seu público consumidor, será percebida e reconhecida como porta-voz de milhares de consciências que a sustentam.
Difícil de entender?
Então corra, pois os consumidores que estão precisando da marca que seu cliente produz, estão querendo muito mais do que adjetivos ou imagens bonitinhas para decidir se enfiam, ou não, a mão no bolso.
Estão dispostos a investir em marcas que os satisfaçam muito mais que a necessidade imediata. Querem produtos que sejam percebidos nas gôndolas como a síntese de seus interesses, de suas almas e de suas vontades sociais.
* Marco Roza é jornalista, diretor da MDM (Marco Direto Marketing) e colunista da Istoé Dinheiro on-line (
www.istoedinheiro.com.br/emprego/). Pode ser encontrado no 0800-11-1239, no e-mail:
marcoroza@mdm.com.br ou no blog
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Mundo do Marketing: Publicado em 18/1/2007